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Referência de corte ou cor de cabelo: Saiba 3 coisas que você deve evitar na hora de mostrar uma referência.

17 de set.
4 min de leitura

Cada vez mais as clientes chegam na minha cadeira com uma foto de referência. Primeiro, era de Pinterest ou Instagram, agora, é um boom de imagens geradas por IA.

Você sabia que isso gera um risco enorme se você não colocar a tecnologia no lugar certo do processo de atendimento com seu cabeleireiro? Saiba três coisas que você deve evitar na hora de mostrar uma referência.



1. Não esqueça que a imagem da tela é feita de luz emitida

Primeiro, você precisa estar consciente — principalmente se tratar de cor — que uma imagem gerada em uma tela é feita por luz emitida e não refletida. Portanto, a cor do seu cabelo só ficará igual sob a incidência de uma mesma composição de luz da imagem — talvez no sol, talvez uma ringlight, luz fria ou quente.

Isso acontece porque a maneira como percebemos uma cor depende também da iluminação sobre aquilo que estamos observando. Uma mesma cor pode apresentar percepções diferentes quando observada sob diferentes fontes de luz. Você não é uma imagem estática. Você é uma imagem em movimento, portanto, está suscetível à incidência de várias luzes diferentes.

O cabelo que aparece em uma imagem de referência pode ter sido fotografado ou gerado considerando uma determinada iluminação, tratamento de imagem, contraste e composição. Quando você leva aquela referência para a realidade, o seu cabelo estará inserido em outras condições. Por isso, principalmente quando falamos de cor, uma referência visual não deve ser entendida como uma promessa de reprodução exata. Ela é uma referência.


2. Não coloque uma regra acima do seu gosto e da sua intenção

Segundo, embora você tenha em mente a dúvida se esse cabelo combina ou não com o seu rosto, o que realmente você precisa estar segura é se o resultado final agrada você mesma.

O gosto e sua intenção aqui é mais importante do que qualquer regra. Existem conhecimentos técnicos que podem ajudar na construção de uma imagem: formato do rosto, características pessoais, contraste, cor, temperatura, proporções e tantos outros elementos que fazem parte da análise profissional, mas, esses conhecimentos não devem apagar aquilo que você deseja expressar. A pergunta não precisa ser apenas: “Isso combina comigo?” Também é importante perguntar: “É isso que eu quero comunicar?”

O cabelo faz parte da nossa imagem e pode expressar diferentes aspectos da nossa identidade. Por isso, entender a intenção por trás de uma mudança é tão importante quanto analisar tecnicamente o que será feito, a referência pode mostrar aquilo que chamou sua atenção, mas a conversa precisa revelar o motivo.


3. Nunca comece a conversa mostrando a sua referência

A terceira, e a mais importante: se você quer realmente ficar satisfeita com o resultado, nunca, mas nunca mesmo, começe a conversa com seu cabeleireiro mostrando sua referência.

Isso simplesmente irá acabar com o processo de atendimento, no qual está incluso a conexão entre o seu desejo transmitido por palavras e sentimentos, sem esquecer dos medos, com o conhecimento, consultoria e talvez sugestões que o profissional poderá trocar com você.

O cabeleireiro precisa saber qual sua real intenção e não colocar tudo isso já de cara em uma imagem de referência. Quando a imagem aparece primeiro, existe o risco de a conversa começar pela tentativa de reproduzir aquilo que está diante dos olhos, em vez de começar pela compreensão de quem está sentada na cadeira. Antes da imagem, existe uma pessoa e essa pessoa tem desejos, necessidades, expectativas, experiências, referências, inseguranças e também limites. É nessa conversa que o profissional pode compreender o que realmente está sendo buscado e, a partir daí, utilizar seu conhecimento técnico para construir uma possibilidade de resultado. Talvez a imagem apresentada pela cliente seja exatamente o caminho; Talvez seja apenas uma pista do que ela deseja; Talvez exista uma outra possibilidade que traduza ainda melhor aquilo que ela está procurando. É justamente por isso que a conversa precisa acontecer antes da referência.


Tecnologia e referência no lugar certo

Portanto, a tecnologia é importante, a referência é importante, mas elas precisam estar no lugar certo para colaborar, na conclusão da conversa. Uma imagem gerada por IA pode ser uma ferramenta interessante para ajudar a visualizar possibilidades. Uma fotografia do Pinterest ou do Instagram também pode trazer informações importantes sobre aquilo que despertou o desejo da cliente. Mas nenhuma imagem substitui o processo de atendimento, a tecnologia pode mostrar uma possibilidade, a referência pode ajudar a traduzir uma ideia, mas é a conversa que permite compreender a intenção.E é a partir dessa compreensão que o conhecimento do cabeleireiro, a consultoria e a troca com a cliente podem transformar uma referência visual em uma proposta possível para aquela pessoa.

No final, talvez a melhor maneira de usar a tecnologia não seja perguntar: “Como faço para ficar igual à imagem?” Mas sim: “O que essa imagem está tentando me dizer sobre aquilo que eu desejo?”

A tecnologia é importante. A referência é importante. Mas elas precisam estar no lugar certo para colaborar com o processo de atendimento. Primeiro, a conversa. Depois, a referência.


 
 
 

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