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Podcast da Beleza

Esse é um espaço onde eu falo sobre a profissão de cabeleireiro, dicas, debates, relação da profissão com o futuro e muito mais! 

Retrato do artista

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Mais que cabeleireiro e empresário, Cesar Augusto é uma mente repleta de ideias. Vive pensando em novos projetos – e batalha para torná-los realidade. Nesta entrevista, o profissional consagrado confessa que todos os dias se pergunta se é capaz de cortar cabelos e que isso é fundamental para fazer um trabalho cada vez melhor.

Gaúcho de São Gabriel, Cesar tem um currículo vitorioso: apresentações de tirar o fôlego em palcos nacionais e internacionais, shootings em Paris para a L’Oréal Professionnel, marca da qual é embaixador, além de ensaios publicados em revistas e jornais. Ele ainda é presidente da Fundação Guillaume, comanda um
espaço de 700 m² em Porto Alegre, onde atende pessoalmente 60 clientes por dia, mantém uma agência de modelos, é sócio em dois centros técnicos e acaba de lançar uma rede de salões para as classes B e C. Sua relação com as tesouras é ancestral: o bisavô e o avô foram barbeiros em um quartel de São Gabriel. A mãe, Nelizabeth, é cabeleireira, assim como uma tia, colorista, e um
tio, também barbeiro. Já o pai, Nilton, foi gerente de vendas numa empresa que comercializava máquinas agrícolas, apesar da deficiência visual. “Sou a síntese da vontade de vencer do meu pai com o amor da minha mãe pela profissão de
cabeleireiro”, define-se o coiffeur. Nesta entrevista exclusiva, entre muitos risos e momentos emocionantes, ele nos conta sua incrível trajetória.

Você sempre quis ser cabeleireiro?
Nunca tive esse sonho. Mas, de certa forma, a profissão sempre fez parte da minha vida. O salão da minha mãe funcionava na nossa casa. Aos domingos, pulava a janela e ficava lá brincando por horas. Meus carrinhos eram as caixinhas de tintura, misturava henna com água oxigenada para fingir que era a fumaça das fábricas...

E quando o bichinho da profissão de cabeleireiro picou você?
Uma vez eu cheguei da escola e encontrei minha mãe desesperada. Duas funcionárias dela, uma com 12 anos de casa, resolveram sair do salão e entraram na justiça. Isso foi em 1985, eu tinha 13 anos e cursava a oitava
série. Aquilo me marcou muito, sabe... Porque elas pediam bastante dinheiro, minha família teve de vender um carro para pagar. Naquele momento, fui solidário e disse: ”Mãe, eu aprendo a ser cabeleireiro e ajudo você”.


Ela que ensinou você?
Nãããão! Ela disse que se eu quisesse aprender, ia me mandar para uma escola porque mãe ensinando filho não ia dar certo (risos)! Então fui para Porto Alegre
estudar na academia Luba. O curso era daqueles de 15 dias, e lá, pelo menos
naquela época, você logo começava a cortar cabelo. Ali me dei conta de que, apesar de ter crescido dentro de um salão, nunca tinha pegado numa tesoura na vida. Para você ter uma ideia, chegou uma cliente, perguntei o que ela queria
e ela pediu para dar uma batidinha na nuca e deixar a franja longa. Adivinha o que fiz?


O que você fez?
Dei batidinhas com o pente na nuca dela (muitos risos)!


Não acredito...
Juro!!! (mais risos.) Daí, quando voltei para São Gabriel, fui ajudar no salão. Comecei com penteado de senhora, que era o que as clientes mais pediam lá. Elas eram todas amigas da minha mãe e quando eu terminava de pentear,
falavam: “Ah, tá ótimo, adorei”. Mas é claro que diziam isso por educação. A mãe mandava elas voltarem e eu tinha de refazer o trabalho até que ficasse perfeito. Foi assim que adquiri toda a minha base de penteado.


E os cortes?
Ah, eu cortava os fios dos meus amigos! Às vezes, no meio de uma festa, alguém falava: “Vamos lá cortar o cabelo?” Daí ia todo mundo para o salão, que virava um point da galera. A gente tinha uns 15 anos e ficava lá até uma, duas da manhã.


Quando decidiu deixar São Gabriel?
Jamais tinha pensado em sair da cidade, mas aos 18 anos, profissionalmente, faltava alguma coisa. Eu era rato de curso, fazia todos os que apareciam, ia para Porto Alegre com a minha mãe ver as novidades e, numa dessas viagens, num workshop do Fernando Alves, me ofereci para ser assistente dele no palco.
A Zélia Lewandowski estava na plateia. Ela me viu, me achou esforçado e me chamou para trabalhar no salão dela, o Mirage, na capital.

Você topou?
Lógico! Até porque se não desse certo, eu tinha a segurança de que a qualquer momento poderia voltar para São Gabriel. Vendi meu fusquinha e fui. Quando cheguei, levei um baque. O salão da Zélia era bem menor que o da minha mãe. Ela estava para abrir uma unidade com 700 m², mas o primeiro Mirage
era bem pequeno. Quando a gente se mudou para o novo espaço, no bairro Três Figueiras, a Zélia estipulou algumas regras, do tipo usar uniforme, não tomar cafezinho no meio da área de corte, essas coisas. Com isso, logo no primeiro mês, ela perdeu metade dos funcionários. Seis meses depois só trabalhávamos
lá eu e a Norma, que era manicure. Fiquei sendo o único cabeleireiro ali dentro e comecei a fazer clientela. Eu ganhava exatamente o equivalente a 50 dólares
por semana e comecei a dizer para as clientes que em abril iria para Barcelona.

Foi fazer Llongueras?
Sim. Só que março chegou e eu só tinha 600 dólares. Dava para a passagem de avião, dois dias de curso e três diárias num hostal, sendo que eu ficaria lá cinco dias. Fui com meu amigo, Zé Eduardo, que também é de São Gabriel e hoje tem salão em Florianópolis. Dormi duas noites na estação de trem e trabalhei na academia em troca de mais três dias de aulas. No último, a gente aprendeu a produzir foto e coloquei na cabeça que iria fazer um desfile quando chegasse ao Brasil. Como algumas modelos frequentavam o Mirage, elas toparam desfilar, então eu e o Zé bolamos uns cabelos diferentes. Um tempo mais tarde, surgiu um desfile de moda em Porto Alegre e o cabeleireiro convidado não quis fazer. Eu topei e depois disso as pessoas começaram
a ver meu trabalho. Daí, em 1999, o Paulo Cordeiro assistiu a um show do
Mirage e convidou a mim e ao Zé para participar do Avon Hair Beauty, em São Paulo. Criamos uns looks com raiz mais escura e a Erika Palomino deu uma notinha na Folha de S. Paulo elogiando nossos visuais. Imagina o que isso significou pra gente!

Quando entrou na Intercoiffure?
Eu me tornei membro em 2001, convidado pelo Sr. Richard Metairon, que era
o presidente aqui no Brasil. Entre 2001 e 2005, viajamos juntos toda a América
Latina fazendo shows. Com ele aprendi muito, principalmente a importância de
ser humilde no palco.

Como foi sua estreia na Hair Brasil?
Eu, o Manno Escobar e o Hugo Moser fomos chamados para fazer um show sobre a Região Sul no palco da feira. O tema era Anita Garibaldi e produzir tudo iria custar dez vezes o meu salário da época. O Manno e o Hugo já eram profissionais consagrados, né, eles toparam na hora. Eu também aceitei, mesmo sem saber como arranjar tanto dinheiro (risos). Acabei pegando um empréstimo para pagar em cinco anos! Foi um sucesso e a Intercoiffure nos convidou para uma apresentação em Paris. Em 2005, a Hair Brasil me convocou de novo e fiz um desfile inspirado nos judeus. Dessa vez custaria 15 vezes o que eu ganhava!
Peguei mais dois empréstimos, um em nome do meu pai e outro em nome da
minha mãe, e levei uns dois anos pagando. Mas valeu a pena. Nesse dia, o Christian Delcroix, diretor da L’Oréal Professionnel na ocasião, estava na plateia e me chamou para ser embaixador da marca.

Por que você resolveu criar coleções?
Fiz cursos no Toni&Guy de Londres e uns amigos de lá me incentivaram a ter meios para produzir coleções próprias. Do contrário, eles diziam, eu seria apenas um showman e não uma referência na área. Precisava ter algo que permitisse às pessoas identificar meu estilo. Então, em 2007, montei uma agência de modelos, a Oxy, e um estúdio fotográfico. De lá para cá clicamos inúmeros editoriais, capas de revista e até campanhas publicitárias.

Como surgiu o Cesar empresário?
Tinha quatro anos de Mirage em 1994 quando a Zélia e o Alfredo, que eram os proprietários, me perguntaram o que eu pretendia na minha carreira. Respondi que queria ser dono de tudo aquilo. Eles falaram que, como não tinham filhos, um dia passariam o negócio para alguém, e que se trabalhasse e crescesse, tinha chance. Fui batalhando e em 2007 fiz o Empretec, um curso do Sebrae para formar empreendedores. Depois disso cheguei para a Zélia e falei que estava pronto. Como já tinha uma empresa dentro da unidade Três Figueiras, com dez funcionários, eles me entregaram o comando do salão.

Você virou administrador?
Com o salão na mão, pensei: “E agora, quem vai tocar?” Daí chamei minha irmã, Dariane, que era executiva do Terra, para gerenciar. Ela topou. Hoje cuidamos da unidade Três Figueiras, distribuímos todos os produtos usados na rede Mirage, eu ainda coordeno a parte técnica, sou sócio do Alfredo em duas academias e atendo 60 clientes todos os dias. Além disso, há um ano, abrimos
o Top Hair, salão voltado para os públicos B e C. Já temos duas unidades, pretendemos montar mais três em breve e ter cinco franqueados até 2015. Mas quem leva a parte financeira e administrativa é minha irmã. Eu sou o sonhador, ela transforma minhas ideias em realidade.

O que você deseja para o futuro?
Eu pretendo deixar um legado de formação. Como presidente da Fundação Guillaume, quero instigar os jovens a fazer o caminho deles. Também não tenho a intenção de parar de trabalhar, a menos que isso se torne um sofrimento físico. Nunca vou abandonar a cadeira porque a relação que tenho com a cliente é muito saudável para mim. Desejo construir uma família, não sou autossuficiente,
preciso ter alguém que dependa de mim. Planejo produzir mais e mais coleções e não penso em ter um império econômico, pois no fundo sou um artista. Agora, se a minha irmã quiser ter um império econômico(risos)...

Como é o Cesar da primeira e o Cesar da última cliente?
O da primeira é, com certeza, o mais difícil. Todo dia acordo duvidando se sei mesmo cortar cabelo. De manhã sou angustiado, mas à noite estou feliz. Na verdade, só me sinto cabeleireiro quando coloco os pés dentro do salão. Geralmente fico satisfeito no fim do expediente ou no final de uma sessão de fotos. Nesses momentos, digo para mim mesmo: “Nossa, que dia legal”. Mas, por outro lado, vivo me questionando se não poderia ter feito melhor, se não deveria ter sorrido mais para tal cliente, se não tinha de fazer essa ou aquela pergunta para ela, imagino se ela gostou ou não do corte. Não sou autoconfiante nesse sentido. Sempre acho que deveria ter feito mais.

 

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De volta a 1960

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Até chegar à imagem abaixo, publicada na edição de abril da
CABELOS&CIA, fiz muitas pesquisas. Aliás, é sempre assim cada vez que elaboro algum trabalho. Por isso, a ideia desta coluna é mostrar para vocês como acontece o meu processo criativo. Gosto muito de usar o método TISPER, desenvolvido por mim um tempo atrás, em que cada letra corresponde a um passo da criação: T = tema; I = inspiração; S = sentimentos, P = processo; E = equipe e R = resultado. Use essa técnica em todas as suas expressões artísticas, seja um show, uma tendência, um desfile ou até mesmo exclusivamente para a sua cliente. Veja aqui como a adotei ao fazer os looks da minha coleção 2060!
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